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A Aprendizagem Canina

 

Como sabemos, os cães são animais inteligentes que aprendem facilmente a fazer os mais variados truques, mas também as mais variadas asneiras, devido á associação que criaram relativamente ás consequências de cada comportamento por eles realizado. Por exemplo, um cão que senta a comando e de seguida come um biscoito, vai querer sentar mais vezes. Mas um cão que vá ao lixo e encontre o jantar do dia anterior também vai querer ir mais vezes ao lixo, já que a consequência do comportamento foi extremamente positiva, do seu ponto de vista.

No entanto para podermos perceber melhor a forma como eles criam as suas associações que se traduzirão em aprendizagem, convém perceber melhor quais as formas de aprendizagem existentes.

Há duas formas principais utilizadas na hora de um cão aprender algo, sendo elas:

-Condicionamento Clássico

-Condicionamento Operante

O Condicionamento Clássico

Estudado inicialmente por um cientista russo chamado Ivan Pavlov, tinha como objetivo provar que os reflexos condicionados eram adquiridos.

Após perceber que os cães salivavam (reflexo NÃO condicionado) quando lhes era apresentada uma refeição (estímulo não condicionado), Pavlov resolveu adicionar um som de uma campainha (estímulo neutro) na hora das refeições, que os cães passariam a associar á refeição em si.

Com o passar do tempo, os cães passaram realmente a salivar sempre que ouviam a campainha, mesmo que não houvesse comida envolvida, tornando-se por isso a salivação um reflexo CONDICIONADO.

O condicionamento clássico ocorre quando um evento antecede e prevê outro, acontecendo muitas vezes involuntariamente.

Exemplo: Quando um cão fica ansioso ao ver o dono pegar na sua trela, é porque através do condicionamento clássico aprendeu que sempre que o dono pega na trela haverá um passeio divertido. Quando ouve o pacote das bolachas abrir vem a correr, pois sabe que provavelmente lhe vai ser dada uma. O mesmo quando vem "fazer olhinhos" para a mesa na hora de jantar...

O Condicionamento Operante

O condicionamento operante é baseado numa sequência de estímulo - comportamento - consequência.

Desenvolvido por um psicólogo chamado Frederic Skinner, o condicionamento operante visava criar um comportamento específico em resposta a um estímulo, através do uso de um reforço.

Para isso, Skinner desenvolveu uma experiência que consistia em privar um animal enjaulado (normalmente ratos) de comida ou água

Numa das extremidades da caixa teria uma barra ou botão, que sempre que o animal tocasse, acionava um mecanismo de libertação de comida ou água. Com isto, o animal eventualmente percebia que era esse comportamento específico que lhe saciava a fome ou sede, pelo que aprendia a acionar o mecanismo repetidamente até estar saciado. Skinner foi ainda mais longe, adicionando outro botão, que sempre que acionado se traduzia em desconforto para o animal, como um choque elétrico por exemplo. Então, os animais perceberam que havia certos comportamentos desejáveis que se traduziam em resultados bons, mas também comportamentos indesejáveis que lhes trariam uma punição, diminuindo assim a repetição destes.

Assim, temos os chamados 4 Quadrantes do Condicionamento Operante:

-Reforço Positivo

-Reforço Negativo

-Castigo Positivo

-Castigo Negativo

Reforço não significa bom e Castigo não significa mau, referem-se sim ao facto de se determinado comportamento se irá repetir (reforço) ou extinguir (castigo).

Positivo e Negativo também não significam bom ou mau, mas sim se algo é adicionado (positivo) ou retirado (negativo).

Reforço Positivo

O comportamento do cão faz com que algo de BOM ACONTEÇA, fazendo com que a frequência desse comportamento AUMENTE.

Exemplo: Quando o cão obedece a um comando como senta, ganha uma recompensa, fazendo com que queira obedecer mais vezes. No nosso caso poderia ser por exemplo receber um prémio de empregado do mês.

Reforço Negativo

O comportamento do cão faz com que algo de MAU DESAPAREÇA, fazendo com que a frequência desse comportamento AUMENTE.

Exemplo: Quando o cão não obedece ao comando senta e é adicionada pressão na trela até que ele se sente. A pressão deparece quando ele obedece, fazendo com que o comportamento de sentar seja reforçado.

No nosso caso, quando colocamos o cinto de segurança para que o aviso sonoro desapareça. O aviso é desconfortável, mas desaparece se colocarmos o cinto, pelo que a tendência será colocar o cinto até antes do aviso aparecer.

Castigo Positivo

O comportamento do cão faz com que algo de MAU ACONTEÇA, fazendo com que a frequência desse comportamento DIMINUA.

Exemplo: Quando o cão salta ou ladra a estranhos e leva um puxão na trela. Esse puxão é desagradável, pelo que ele não irá querer repetir o comportamento que causou esse desconforto.

No nosso caso, quando fazemos um comentário desagradável a alguém que se exalta e nos bate, essa dor é uma punição que nos fará pensar duas vezes antes de voltar a fazer comentários do género.

Castigo Negativo

O comportamento do cão faz com que algo de BOM DESAPAREÇA, fazendo com que a frequência desse comportamento DIMINUA.

Exemplo: Quando o cão está a receber mimo e decide saltar ou morder as mãos na brincadeira, e nós viramos costas e vamos embora. O comportamento dele fez com que uma coisa boa deixasse de existir, pelo que tenderá a não o repetir.

No nosso caso, quando cometemos um crime vamos presos, sendo-nos tirada a tão boa liberdade.

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